Gestão de riscos na administração pública: governança, prevenção e tomada de decisão
A gestão de riscos tem adquirido relevância na Administração Pública diante da necessidade de aprimorar decisões, controles e resultados institucionais. Nesse contexto, sua aplicação pode contribuir para antecipar situações capazes de comprometer objetivos públicos e orientar respostas mais adequadas. O presente artigo aborda a gestão de riscos como instrumento de governança, prevenção e melhoria.
Introdução
A Administração Pública desenvolve suas atividades em um ambiente marcado por incertezas que podem afetar desde a execução de políticas até a qualidade dos serviços oferecidos à população. Diante disso, torna-se necessário adotar mecanismos que permitam reconhecer situações capazes de comprometer os objetivos institucionais.
Nesse cenário, a gestão de riscos ganha espaço como uma abordagem voltada à antecipação de possíveis problemas e ao aprimoramento dos processos decisórios. Conforme apontado por Silva et al. (2021), essa prática vem assumindo importância crescente no setor público justamente por sua relação com a melhoria da gestão e dos serviços públicos.
Da prevenção à gestão estratégica
A preocupação com os riscos, entretanto, não se limita à tentativa de evitar acontecimentos negativos.
Quando incorporada ao planejamento, ela permite que os gestores compreendam melhor as situações que podem interferir nos resultados pretendidos e estabeleçam respostas antes que seus efeitos se concretizem.
Nesse sentido, a ABNT NBR ISO 31000:2018 estabelece diretrizes para que a gestão de riscos seja aplicada de acordo com o contexto da organização e integrada às suas atividades e à tomada de decisões.
Essa mudança amplia a função da gestão de riscos, aproximando-a da própria administração das organizações.
Conforme sugerido pelo estudo de referência, a temática passou a ser associada não apenas a aspectos técnicos, mas também à governança e à responsabilização no setor público
Riscos e tomada de decisão
Essa perspectiva torna a gestão de riscos especialmente relevante para o processo decisório, uma vez que as escolhas realizadas pelos gestores públicos produzem consequências que ultrapassam os limites da própria organização.
Ao considerar previamente diferentes possibilidades e seus impactos, a Administração pode estabelecer prioridades e direcionar recursos de forma mais consciente.
Nesse sentido, a gestão de riscos não elimina as incertezas presentes na atividade pública, mas oferece melhores condições para que sejam consideradas durante o planejamento e a tomada de decisões.
A institucionalização no setor público brasileiro
No Brasil, essa evolução foi acompanhada pela criação de instrumentos destinados a inserir a gestão de riscos na estrutura das organizações públicas.
A Instrução Normativa Conjunta nº 01/2016, elaborada pelo Ministério do Planejamento e pela Controladoria-Geral da União, estabeleceu a sistematização de práticas relacionadas à governança, à gestão de riscos e aos controles internos no âmbito do Poder Executivo Federal.
De acordo com o estudo analisado, esse movimento representou uma importante etapa na institucionalização dessas práticas na Administração Pública brasileira
Entre a norma e a prática
A criação de normas, contudo, não significa que a gestão de riscos esteja plenamente incorporada à realidade das instituições.
Para que produza efeitos concretos, é necessário que seus princípios estejam presentes nos processos, nas responsabilidades e nas decisões organizacionais.
Conforme observado por Silva et al. (2021), ainda existem lacunas na implementação da gestão de riscos em nível organizacional e estratégico, o que demonstra que sua adoção exige mais do que o cumprimento formal de procedimentos.
Considerações finais
Dessa forma, a gestão de riscos pode contribuir para uma Administração Pública mais preparada para lidar com incertezas e direcionar suas ações ao alcance dos objetivos institucionais.
Sua efetividade depende da integração entre planejamento, governança, controles e tomada de decisão, permitindo que a prevenção faça parte da rotina administrativa.
Assim, mais do que responder a exigências normativas, desenvolver uma cultura de gestão de riscos representa uma oportunidade de aperfeiçoar a utilização dos recursos públicos e fortalecer a entrega de resultados à sociedade.
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